O Brasil atingiu um marco histórico no início de 2026: mais de 21 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos elétricos espalhados pelo país. O número representa um crescimento impressionante de 42% em apenas 12 meses — e o mais interessante é que essa curva está apenas começando.

Os números que importam

Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), a infraestrutura de recarga no Brasil evoluiu de forma acelerada:

  • 21.061 pontos de recarga públicos e semipúblicos (fevereiro/2026)
  • Crescimento de 42% em relação ao mesmo período de 2025
  • 6.479 carregadores DC (recarga rápida) — salto de 167% no segmento
  • Presença em 1.649 municípios (25% do total brasileiro)
  • São Paulo lidera com 28,3% de todos os eletropostos do país

Tipos de carregadores: qual escolher?

Para quem está entrando no mercado, entender os tipos de carregadores é fundamental:

Nível 2 (AC Semirrápido) — 7 a 22 kW: É o tipo mais comum no Brasil, representando a maioria dos 13 mil pontos AC. Ideal para shoppings, estacionamentos comerciais, hotéis e condomínios, onde o veículo fica estacionado por algumas horas. Custo de instalação acessível e retorno consistente.

Nível 3 / DC (Recarga Rápida) — 50 a 350 kW: O segmento que mais cresce (167% ao ano!). Carrega de 20% a 80% em 20 a 40 minutos. Essencial para corredores rodoviários e postos de combustível que querem se posicionar para o futuro. Investimento maior, mas com ticket médio por sessão significativamente superior.

Regulação favorável: sem barreiras de entrada

Uma das grandes vantagens do mercado brasileiro é a regulação simplificada. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), através da Resolução Normativa 1.000/2021, estabeleceu que:

  • Qualquer empresa ou pessoa física pode oferecer serviços de recarga sem necessidade de concessão ou autorização específica
  • Os preços são livremente negociados entre prestador e consumidor
  • A abordagem é de regulação mínima, focando apenas na segurança e no impacto na rede elétrica

Isso significa que, diferente de outros setores regulados, a barreira de entrada para operar eletropostos no Brasil é surpreendentemente baixa.

O modelo de negócio funciona?

Sim — e existem múltiplas formas de monetizar:

  • Receita direta: Cobrança por kWh consumido (modelo mais transparente e preferido pelos usuários), por tempo de uso, ou taxa fixa por sessão
  • Receita indireta: Atração de clientes para o estabelecimento (o famoso "efeito âncora"), valorização imobiliária do ponto e publicidade digital
  • Modelos de parceria: Você cede o espaço e um operador instala e gerencia os carregadores, com receita compartilhada

A janela de oportunidade é agora

Com mais de 650 mil veículos eletrificados circulando no Brasil e vendas crescendo 26% ao ano, a demanda por infraestrutura de recarga só tende a aumentar. Quem se posicionar agora terá vantagem competitiva nos próximos anos, quando o mercado estará mais concorrido.

O momento de investir em eletropostos não é quando a demanda saturar — é agora, enquanto a infraestrutura ainda está sendo construída.

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